A Microsoft (NASDAQ: MSFT) anunciou em 15/09/2021 que pretende gastar US$ 60 bilhões comprando suas próprias ações. No momento da redação, a MSFT está sendo negociada a aproximadamente US$ 300,00 por ação, o que significa que a Microsoft comprará cerca de 200 milhões de ações e as removerá da circulação pública. De fato, 200 milhões representam apenas 2% do total de 7,51 bilhões de ações da MSFT disponíveis. Assim, imediatamente após o anúncio na quarta-feira, o preço das ações da MSFT subiu na mesma proporção.
A Microsoft está longe de ser a única empresa que participa de recompras de ações. Na verdade, elas se tornaram uma ocorrência relativamente comum na última década e estão ganhando popularidade. A Apple (NASDAQ: AAPL), a Amazon (NASDAQ: AMZN) e a Alphabet (NASDAQ: GOOGL) também compraram grandes fatias de suas próprias ações nos últimos anos. A Apple tem sido uma das mais agressivas nesse sentido, comprando ações da AAPL a um custo total de US$ 77 bilhões desde 2019.
Por que uma empresa compraria suas próprias ações?
Recompras de ações mantêm o acionista feliz
Em primeiro lugar, as recompras de ações oferecem às empresas um caminho fácil para aumentar o valor para os acionistas. Se uma empresa vai investir o dinheiro em Pesquisa e Desenvolvimento, não há garantia de que um novo produto ou serviço venha a se concretizar, melhorando o desempenho da empresa. As recompras de ações são um método relativamente isento de riscos para manter os acionistas satisfeitos.
Pense assim: Imagine que existam 1 milhão de ações públicas da Empresa XYZ. Cada ação vale atualmente US$ 1.000. Neste exemplo, a Empresa XYZ teria uma capitalização de mercado de US$ 1 bilhão (preço da ação x número total de ações).
A Empresa XYZ então prossegue para recomprar metade do número de ações públicas por meio de um plano de recompra de ações e as remove da circulação geral (imagine que essas ações são destruídas e deixam de existir). Consequentemente, agora restam apenas 500.000 ações para serem negociadas ou mantidas pelo público.
Após esse evento, o que acontecerá ao preço por ação? A capitalização de mercado da empresa não mudou, pois os fundamentos do negócio são irrelevantes para a recompra de ações. A empresa ainda deve valer o mesmo valor de US$ 1 bilhão. Assim, cada ação agora deve valer US$ 2.000, e o valor para o acionista aumentou 100%.
Aumentar dividendos < Recompras de ações?
Comprar ações de volta é uma forma mais direta e sustentável de devolver valor aos investidores do que aumentar os pagamentos de dividendos. As recompras de ações são mais sustentáveis, pois não há expectativa de que elas continuem a cada trimestre. Já um pagamento de dividendos, inflado em um trimestre com caixa disponível, pode pressionar as reservas/fluxo de caixa nos trimestres futuros e, no fim das contas, afastar investidores quando o dividendo é revisado para baixo.
Remover ações da circulação por meio de planos de compra de ações também reduz o custo de capital de longo prazo da empresa. Essencialmente, quanto menor o número de ações, menos dinheiro a empresa precisa pagar em dividendos daqui para frente.
Destruindo a ilusão altruísta das recompras de ações
Recompras de ações não são apenas para o bem dos acionistas do público. Muitos executivos de empresas listadas em bolsa se beneficiam do aumento no valor do preço das ações, direta e indiretamente.
Diretamente, diretores e pessoas do tipo provavelmente detêm ações ou opções de ações da empresa para a qual trabalham.
Indiretamente, a remuneração recebida por alguns executivos pode ser determinada pelo aumento ou pela queda do preço das ações durante seus mandatos como diretores. Por exemplo, o CEO da Apple, Tim Cook, recebeu um bônus de US$ 750 milhões em agosto de 2021, em parte, por as ações da APPL terem subido 190% desde meados de 2018, enquanto superavam o índice S&P 500. O desempenho da AAPL certamente deve muito de sua explicação aos mais de US$ 77 bilhões em recompras de ações que a Apple realizou nesse período.
