Eu gosto de chamar a atual febre entre investidores de varejo de uma “revolução do investidor DIY”, impulsionada por nomes como a Robinhood Markets (NASDAQ: HOOD), Interactive Brokers (NASDAQ: IBKR) e BlackBull Markets. Dentro dessa revolução, vimos investidores de varejo adotarem operações com derivativos com um nível de sofisticação equivalente ao de traders “profissionais”.
Para aqueles que ainda não pegaram a ideia dessa revolução, achei que seria uma boa oportunidade para detalhar o básico de alguns derivativos populares. Espero mostrar o que muitos investidores de varejo já descobriram por conta própria; CFDs e Opções não são tão complicados ou misteriosos.
O que é um derivativo?
Derivativos, como CFDs e Opções, são “derivados” de instrumentos financeiros tradicionais, como ações, commodities e câmbio estrangeiro. Tipicamente, derivativos assumem a forma de um contrato que tira seu valor de um ativo subjacente, como o preço à vista de uma onça-troy de Ouro (XAU/USD).
Investidores em todo o mundo usam derivativos para aproveitar oportunidades de investimento ou fazer hedge de forma eficiente contra a incerteza.
O que é um CFD?
CFD significa “Contract For Difference” (Contrato por Diferença). Como o nome indica, comprador e vendedor de um contrato concordam em compensar um ao outro pela diferença entre o preço atual de um ativo e o seu preço futuro.
Diz-se que o comprador do CFD está assumindo uma posição comprada no ativo subjacente (isto é, acredita que o preço do ativo vai subir). Em contrapartida, o vendedor do CFD está assumindo uma posição vendida (isto é, acha que o preço do ativo vai cair). Se o preço do ativo subir, o vendedor do CFD compensará o comprador. Se o preço do ativo cair, o comprador do CFD compensará o vendedor.
CFDs existem para vários tipos de ativos, incluindo ações, índices, commodities e, de forma mais popular, câmbio estrangeiro.
Há um motivo principal pelo qual os investidores escolhem negociar CFDs em vez de outros derivativos como Opções e Futuros. Com CFDs, os traders geralmente conseguem negociar com uma alavancagem maior do que em outros derivativos, permitindo posições maiores com depósitos menores. Como consequência, ganhos e perdas podem ser amplificados com mais facilidade ao negociar CFDs.
O que é uma Opção?
A parte prática dos derivativos é que seus nomes descrevem com precisão o que eles são.
Um contrato de Opção dá ao comprador o “direito”, mas não a “obrigação” de comprar ou vender uma quantidade definida de um ativo do/para o vendedor do contrato antes de uma data de vencimento determinada.
Os contratos de Opção existem para vários tipos de ativos; os mais populares são Índices e Opções sobre Ações (ou seja, um Contrato de Opção para 100 ações da Tesla (NASDAQ: TSLA)).
As Opções vêm em dois formatos: Calls e Puts. Calls dão ao comprador do contrato o direito de comprar um ativo, enquanto Puts dão ao comprador do contrato o direito de vender. Em qualquer caso, o comprador do contrato pagará ao vendedor do contrato uma taxa (conhecida como premium) para entrar no contrato. Custos adicionais para o comprador podem existir dependendo de outros fatores, mas podemos ignorá-los para fins de clareza.
Vale lembrar que, como instrumentos de mercado secundário, os spreads das Opções podem ser muito menores do que os dos ativos tradicionais nos quais elas se baseiam. Spreads menores são um dos principais motivos pelos quais investidores de varejo são atraídos para negociar Opções.
Desmembrando uma Opção com um exemplo:
Quando o Trader X vende um contrato de Put para o Trader Z, o Trader Z compra o direito de vender um ativo para o Trader X antes do contrato expirar. Se o Trader Z vai exercer esse direito depende principalmente do movimento no preço do ativo.
O Trader X ficará com o premium pago pelo Trader Z como compensação por oferecer a Opção.
O Trader X vendeu o contrato de Put porque acredita que o preço do ativo subjacente vai subir. Em contrapartida, o Trader Z pensa que o preço do ativo vai cair. Assim, se o Trader Z estiver certo, eles poderão vender o ativo para o Trader X pelo preço do contrato acordado (conhecido como Strike Price) em vez do valor atual do ativo (Spot Price). Na prática, o Trader Z ficará com a diferença entre o Spot Price mais baixo do ativo e o Strike Price mais alto indicado no contrato.
Se o Trader X estiver certo, o Trader Z não exercerá seu direito de vender o ativo no Strike Price do contrato, e a Opção expirará sem ser exercida.

